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Caatinga paraibana pode ganhar nova unidade de conservação

O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave) – centro especializado vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) localizado em Cabedelo (PB) – apresentou estudo sobre a Serra do Comissário, situada no sertão paraibano, que indica a região como área prioritária para conservação da caatinga. Segundo os dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA), de 2004, existem 57 áreas consideradas prioritárias para a conservação da biodiversidade da caatinga no Brasil.

Divulgação
Caatinga - Sítio PELD Petronila/ UFPE

A Serra do Comissário está localizada no sertão paraibano, passando pelos municípios de Pombal, Lagoa, São Francisco e Santa Cruz. Os estudos realizados propõem a criação de uma Unidade de Conservação com cerca de 20 mil hectares.

Pelo menos 39 famílias vivem na região da Serra do Comissário, distribuídas em três pequenas comunidades, cuja principal atividade econômica é a agricultura familiar, com destaque para o cultivo do milho, do feijão e da fava.

Os resultados das expedições de campo na Serra do Comissário, realizadas pelos analistas ambientais do Cemave/ICMBio, Diego Mendes e Emanuel Barreto, ajudaram na indicação da referida área como prioritária para a conservação.

Em oficina promovida pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) para definir as áreas prioritárias para a conservação, uso sustentável e repartição dos benefícios no bioma Caatinga, ocorrida em João Pessoa, entre os dias 25 e 28 de maio, os resultados do estudo foram levados em consideração.

Representantes de diversos órgãos públicos, como secretarias estaduais de meio ambiente da Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Rio Grande do Norte, além do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), estiveram presentes no evento.

De acordo com o analista ambiental, Diego Mendes, os resultados das expedições de campo, realizadas entre 2 e 6 de novembro de 2014 e 26 a 30 de abril de 2015, na Serra do Comissário, confirmaram a redução da população da ave jacucaca (Penelope Jacucaca) na região.

A espécie, que já está ameaçada de extinção, corre o risco de desaparecer da Serra do Comissário, em virtude da pressão da caça. “Além dessa constatação, o estudo apontou que vários elementos importantes para a biodiversidade das aves na região estão sendo ameaçados, como a destruição da caatinga arbórea e de olhos d’água (nascentes de rios)”.

Diego lembra ainda que das 140 espécies de aves inventariadas na região, outras duas também correm o risco de desaparecer da Serra do Comissário. “Já há relatos da comunidade que reside na região de que o pintassilgo-do-nordeste (Sporagra yarrellii), muito comum até os anos 90, já desapareceu de lá por conta da captura intensiva, e o mesmo pode ocorrer com o azulão (Cyanoloxia brissonii).”

O estudo produzido a partir dos dados das expedições destaca a condição do inventário avifaunístico da Serra do Comissário, mas não é conclusivo a respeito de outros grupos da fauna. “É preciso que pesquisadores de grupos variados, como de mamíferos, répteis e peixes, também realizem estudos na região, até porque há lacunas de conhecimento em relação à área”, explicou o analista do Cemave.

Nova Unidade de Conservação

O primeiro passo para reverter este quadro de ameaças e garantir a conservação dos recursos naturais da região foi dado com a indicação da região para ser incluída no conjunto de Áreas Prioritárias para Conservação da Caatinga.

Contudo, o Cemave ainda deve propor a criação de uma nova Unidade de Conservação, englobando a Serra do Comissário. “Estamos produzindo nota técnica, que será enviada à Coordenação Geral de Criação, Planejamento e Avaliação de Unidades de Conservação (CGCAP), propondo a criação de uma nova UC na região. Com isso, o Instituto deverá analisar a proposta e, se aceita, definirá o tipo de Unidade de Conservação”, explicou Diego.

O analista do Cemave relatou ainda que, em seu contato com a comunidade, percebeu uma sinalização bastante positiva para ações de conservação na área. “A população, na verdade, clama por fiscalização e acredita que, se a região ganhar maior visibilidade poderá diminuir a caça, desmatamento e degradação dos olhos d’água”.

O agricultor Luiz José dos Santos, que mora na região, é um dos que vêem a criação da UC na Serra do Comissário com bons olhos. “Toda comunidade que vive na região torce que isso aconteça, até porque queremos que a área seja mais preservada e protegida da ação predatória dos caçadores; muitos deles, inclusive, vêm de outros estados para caçar os pássaros e outros animais da Serra.”

Colaboração de Juliana Bandeira