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Albatroz-de-sobrancelha deixa lista de espécies ameaçadas

Conquista é resultado de esforços conjuntos que incluem o Plano de Ação Nacional para a Conservação de Albatrozes e Petréis.

Divulgação/Governo de São Paulo
Espécie continua contemplada pelo Planacap por persistir a pressão de captura incidental na pesca industrial

Depois de esforços do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em parceria com o Projeto Albatroz, o albatroz-de-sobrancelha saiu da Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, divulgada em dezembro de 2014. Atualmente, a espécie está na categoria Quase Ameaçada (NT).

A espécie Thalassarche melanophris é uma ave migratória cujas asas negras se destacam em meio à plumagem brancas. Possui olhos bem marcantes. O albatroz-de-sobrancelha viaja pelos mares do hemisfério sul.

Desde 2003, ele era apontado como espécie ameaçada de extinção (na categoria Vulnerável – VU), com uma população global de aproximadamente 600 mil casais.

Segundo a analista ambiental do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Ce,ave/ICMBio), Patrícia Serafini, a boa notícia é fruto de um conjunto de fatores, que incluem o Plano de Ação Nacional para a Conservação de Albatrozes e Petréis (Planacap), lançado em 2006, e um grande esforço internacional.

"O Brasil é signatário da Convenção Internacional sobre Espécies Migratórias desde 2008 e também participa do Acordo Internacional para a Conservação de Albatrozes e Petréis (ACAP)", destaca a analista.

Segundo ela, o albatroz-de-sobrancelha, por ser uma ave oceânica, interage fortemente com a pesca industrial. "Ao buscarem alimento, eles são vítimas de captura acidental, sendo arrastados para o fundo do mar e morrendo afogados", destaca Serafini, coordenadora do Plano de Ação.

Trabalho pela conservação continua

Embora tenha saído da Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção, a espécie continua contemplada pelo Planacap por persistir a pressão de captura incidental na pesca industrial. Para combater isso, o ICMBio conta com uma Instrução Normativa de 2014, elaborada pelos Ministérios do Meio Ambiente (MMA) e da Pesca e Aquicultura (MPA), que regula uma série de medidas mitigadoras para reduzir esse tipo de captura.

As principais medidas estabelecidas na Instrução são a utilização do espantador de aves, conhecido como Toriline, nas embarcações, bem como o posicionamento adequado de pesos nas linhas de pesca para que afundem mais rapidamente.

Outro ponto é a determinação de que os anzóis sejam lançados no período noturno, quando as aves estão menos ativas. Importante ressaltar, ainda, que as ações de fiscalização têm sido incisivas nos últimos anos, contribuindo para a melhoria do estado de conservação da espécie.

Projeto Albatroz

Desempenhando papel essencial nesse processo, a organização não-governamental Projeto Albatroz é parceira do ICMBio e trabalha para reduzir a ameaça de captura incidental de albatrozes e petréis desde 1991.

Segundo a coordenadora do Projeto Albatroz, Tatiana Neves, a relação entre as aves e os pescadores sempre foi de parceria, afinal elas indicam onde estão os cardumes.

"Nosso o projeto é bem aceito por eles. Os observadores de bordo vão junto com os pescadores até o alto-mar para coletar dados e desenvolver novas tecnologias que diminuam a pesca incidental", explica Neves.

O Projeto se faz presente, ainda, nos terminais de pesca, onde seus profissionais realizam atividades de educação ambiental.

Sobre a espécie

Monogâmicos e longevos (chegando a atingir mais de 30 anos de idade), os albatrozes-de-sobrancelha se deslocam de ilhas distantes durante o inverno para buscar alimento no Brasil. Crustáceos, peixes e lulas são as refeições prediletas.

Nesse período, eles são encontrados sobretudo no sul e sudeste brasileiros, com diversos registros da presença dessas aves em Unidades de Conservação (UCs), a exemplo da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo (SC), do Parque Nacional da Lagoa do Peixe (RS) e das Áreas de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba (PR) e Fernando de Noronha (PE).

O albatroz-de-sobrancelha procura a terra firme apenas durante a época de reprodução, que acontece anualmente. A espécie atinge maturidade sexual entre 7 e 9 anos de idade, colocando um único ovo por ano.

Estudos populacionais recentes indicam tendência de crescimento na maior colônia reprodutiva do albatroz-de-sobrancelha, as Ilhas Malvinas, de onde provêm a maior parte da população que visita o Brasil.

Espécies ameaçadas de extinção

O processo de extinção está relacionado ao desaparecimento de espécies ou grupos de espécies em um determinado ambiente ou ecossistema.

Semelhante ao surgimento de novas espécies, a extinção é um evento natural: espécies surgem por meio de eventos de especiação (longo isolamento geográfico, seguido de diferenciação genética) e desaparecem devido a eventos de extinção (catástrofes naturais, surgimento de competidores mais eficientes).

Normalmente, porém, o surgimento e a extinção de espécies são eventos extremamente lentos, demandando milhares ou mesmo milhões de anos para ocorrer.

Um exemplo disso foi a extinção dos dinossauros, ocorrida naturalmente há milhões de anos, muito antes do surgimento da espécie humana, ao que tudo indica devido à alterações climáticas decorrentes da queda de um grande meteorito.

Ao longo do tempo, porém, o homem vem acelerando muito a taxa de extinção de espécies, a ponto de ter-se tornado, atualmente, o principal agente do processo de extinção.

Em parte, essa situação deve-se ao mau uso dos recursos naturais, o que tem provocado um novo ciclo de extinção de espécies, agora sem precedentes na história geológica da terra.

Atualmente, as principais causas de extinção são a degradação e a fragmentação de ambientes naturais, resultado da abertura de grandes áreas para implantação de pastagens ou agricultura convencional, extrativismo desordenado, expansão urbana, ampliação da malha viária, poluição, incêndios florestais, formação de lagos para hidrelétricas e mineração de superfície.

Estes fatores reduzem o total de habitats disponíveis às espécies e aumentam o grau de isolamento entre suas populações, diminuindo o fluxo gênico entre estas, o que pode acarretar perdas de variabilidade genética e, eventualmente, a extinção de espécies.

Por Portal Brasil - Fontes: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - Ministério do Meio Ambiente