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Brasil recebe duas ararinhas-azuis nascidas na Alemanha

Iniciativa busca reintroduzir a espécie, considerada extinta na natureza desde 2000, em seu habitat natural, a Caatinga brasileira

Divulgação/ICMBio
Vítima do tráfico de animais, a ararinha-azul desapareceu do seu habitat e virou símbolo da extinção anos atrás

No Dia Mundial da Vida Selvagem, chega ao Brasil um casal de ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) nascidas na Alemanha. A assinatura de doação será nesta terça-feira (3), às 16 horas, na sede do Ministério do Meio Ambiente, em Brasília (DF).

Participam da cerimônia a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Roberto Vizentin, a chefe da Autoridade Administrativa Alemã da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites), Irina Sprotte, o presidente do conselho diretor da ONG alemã Associação para Conservação de Papagaios em Extinção (ACTP), Jürgen Dienst, entre outras autoridades.

Dia Mundial da Vida Selvagem

Como parte das comemorações do Dia Mundial da Vida Selvagem, chegaram ao Brasil, nesta terça (3), um casal de ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) nascido na Alemanha.

A iniciativa faz parte do Projeto Ararinha na Natureza, que pretende reintroduzir a espécie, considerada extinta na natureza desde o ano 2000, em seu habitat natural, a Caatinga brasileira.

Apesar da longa viagem (mais de 14 horas) entre Berlin e São Paulo, "as aves chegaram bem, apesar de estressadas", afirmou a veterinária do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave/ICMBio), Camile Lugarini.

A transferência das ararinhas é resultado da parceria entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Agência Federal Alemã de Conservação da Natureza (BfN).

Protocolo de segurança

No aeroporto de Guarulhos (SP), as aves foram transferidas para caixas de biossegurança e transportadas para a estação de quarentena do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), na cidade de Cananeia (SP), onde devem permanecer por cerca de 15 dias.

"São animais saudáveis que nunca apresentaram nada. Na quarentena, elas passam por exames, ficam isoladas e são monitoradas. Se for identificada alguma doença, as aves serão tratadas", explicou Lugarini.

Reprodução em cativeiro

Depois do período de quarentena, Carla e Tiago (o casal de irmãos) serão encaminhadas para o criadouro científico Nest, no interior de São Paulo, onde se juntarão às outras 11 ararinhas-azuis mantidas no Brasil. O criadouro alemão Association for the Conservation of Threatened Parrots (ACTP) foi responsável por cuidar do casal e de seus filhotes até sua chegada ao Brasil.

No Nest, Carla e Tiago passarão por avaliações genéticas que devem apontar os melhores parceiros para cruzamentos, para cada ave. Um grande desafio para a reprodução em cativeiro é a pouca variabilidade genética das ararinhas-azuis, ocasionada pela pequena população da espécie: existem apenas 90 aves, em todo o mundo.

Para contornar o problema, são feitos mapeamentos genéticos e permutas de aves entre os criadouros, sempre em busca dos melhores pareamentos e da ampliação da variabilidade genética dessa espécie.

Sobre o Projeto Ararinha na Natureza

Coordenado pelo Cemave/ICMBio, o Projeto Ararinha na Natureza faz parte da implementação do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Ararinha-azul.

A iniciativa conta com a parceria da Vale e de organizações da sociedade civil sem fins lucrativos, como o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e a Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (SAVE Brasil).

Vítima do tráfico de animais, a ararinha-azul desapareceu do seu habitat e virou símbolo da extinção anos atrás.

Os mantenedores da ararinha-azul no Brasil e no exterior, que trabalham para viabilizar a reprodução da espécie, são o Association for the Conservation of Threatened Parrots (ACTP), na Alemanha; a Al-Wabra Wildlife Preservation, no Catar; o criadouro Nest e a Fundação Lymington, no Brasil.

"O objetivo do Plano de Ação Nacional é reproduzir a ararinha em cativeiro e possibilitar sua reintrodução na natureza até 2021", explica o coordenador geral de Manejo para a Conservação do ICMBio, Ugo Vercillo. E o Brasil tem motivos para comemorar: no último mês de outubro, dois filhotes nasceram no criadouro Nest.

Como a reprodução das ararinhas-azuis é feita de forma articulada entre os criadouros parceiros, os 90 indivíduos são encarados como uma população única. "As permutas de aves entre as instituições têm o objetivo de garantir o maior número possível de filhotes e o aumento da diversidade genética da espécie", destaca Vercillo.

Sobre o Dia Mundial da Vida Selvagem

Em dezembro de 2013, a Assembleia Geral da ONU criou o Dia Mundial da Vida Selvagem, que passou a ser celebrado todos os anos no dia 3 de março, mesma data em que foi adotada a CITES (Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção).

A celebração tem o intuito de exaltar a flora e a fauna do planeta, alertar para os perigos do tráfico de espécies selvagens e promover a cooperação entre países para a preservação dessas espécies.

A chegada das ararinhas-azuis neste dia é, portanto, um evento bastante simbólico e está de acordo com os objetivos do Dia Mundial da Vida Selvagem.

Na resolução aprovada pela Assembleia Geral, os países que integram a ONU reafirmam o valor essencial das plantas e dos animais selvagens e sua contribuição para o desenvolvimento sustentável e bem-estar da humanidade, destacando os aspectos ecológicos, genéticos, sociais, econômicos, científicos, educacionais e culturais.

Saiba mais sobre o nascimento das ararinhas-azuis:

Nasceram filhotes de ararinha-azul.

Reprodução da ararinha-azul em cativeiro é conquista histórica.

Por Portal Brasil - Fontes: Ministério do Meio Ambiente - ICMBio