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Concluída etapa de pesquisa sobre mico raro da Amazônia

Pesquisadores do Instituto Mamirauá estudam espécie conhecida como Marcai. Dados coletados poderão ajudar em políticas de conservação

Divulgação/Instituto Mamirauá
Mico marcai avistado em campo, no sul do Amazonas

Um grupo de pesquisadores do Instituto Mamirauá viajou ao sul do Amazonas para dar continuidade a uma pesquisa que vem sendo realizada no instituto desde 2012. "O objetivo geral desse trabalho é verificar a ocorrência e a distribuição de uma espécie conhecida como mico Marcai", conta o biólogo e pesquisador do Mamirauá Felipe Ennes da Silva.

Esta foi a sexta expedição realizada no âmbito da pesquisa. Ocorrida entre 15 de janeiro e 9 de fevereiro, teve por objetivo buscar informações sobre os parâmetros populacionais da espécie, tais como densidade ou abundância. Os pesquisadores fizeram trilhas na floresta, enumerando os animais avistados.

Um grupo de cinco pessoas percorreu uma área mais ao norte, na região do Manicoré, onde se discute a criação de uma unidade de conservação da espécie. Um segundo grupo foi à região de confluência dos rios Roosevelt e Aripuanã.

Além dos dados coletados para os micos, também foram levantadas informações sobre primatas em geral, seguindo a mesma metodologia. "Conseguimos bons dados sobre os zogue-zogue, um primata do gênero Callicebus, e de parauacus, do gênero Pithecia", conta Ennes, ao acrescentar que o grupo também está fazendo uma revisão taxonômica do gênero Mico, e há apontamentos para novas classificações de algumas espécies.

Preservação

Coletar informações sobre esses animais é um trabalho fundamental para se pensar em estratégias de conservação. "Junto com as informações sobre as principais ameaças para as espécies, vamos analisar os dados coletados nas expedições para buscarmos parâmetros dos desafios de conservação de primatas naquela região", explica o biólogo.

Histórico

Ennes estuda a espécie Marcai desde 2005, mas a pesquisa ganhou fôlego em 2012, quando o biólogo se tornou pesquisador do Instituto Mamirauá.

A primeira espécie do primata foi coletada em 1914, durante a Expedição Científica Rondon-Roosevelt. Na ocasião, três peles desse mico foram levadas para o Museu Nacional do Rio de Janeiro. Em 1993, um biólogo chamado Ronaldo Alperin descreveu a espécie a partir do material do museu. "Foi com base nesse histórico que, em 2012, viemos para a região", diz Emmes.

O primeiro passo foi verificar a presença de fato do primata na área. Depois, outras expedições delimitaram a área de distribuição do animal, que engloba os municípios de Manicoré e Novo Aripuanã, ambos no Amazonas. Esses dados foram levantados em campo entre 2013 e 2014.

Hoje o projeto é conduzido pelo Instituto Mamirauá, em parceria com o Conservation Leadership Programme, com a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), com o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG/MCTI), com a Universidade Federal de Brasília (UnB) e a Universidade de Salford, na Inglaterra.

Por Portal Brasil - Fontes: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - Instituto Mamirauá