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Brasil conquista pelo segundo ano consecutivo o prêmio global Jovens Pesquisadores

A publicação de um conjunto de dados de monitoramento ambiental de formigas nas áreas de influência da Usina Hidrelétrica Santo Antônio em Rondônia rendeu o prêmio Jovens Pesquisadores, oferecido pelo GBIF, para doutoranda do INPA.

Pelo segundo ano consecutivo um estudante brasileiro é um dos ganhadores do prêmio global Jovens Pesquisadores. Realizado anualmente pela Plataforma Global de Informação sobre Biodiversidade (GBIF, na sigla em inglês), o prêmio visa incentivar a inovação científica na área de tecnologia da informação para a biodiversidade, com premiação de 5 mil Euros para dois projetos a nível mundial, sendo um de mestrado e outro de doutorado. A estudante do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Itanna Oliveira Fernandes, foi a ganhadora selecionada da categoria doutorado pela publicação de um conjunto de dados de monitoramento ambiental de formigas nas áreas de influência da Usina Hidrelétrica Santo Antônio em Rondônia. A doutoranda foi indicada ao prêmio pelo Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), responsável pela seleção nacional, e será reconhecida durante o 24º Congresso de Governança do GBIF, que será realizado em Helsinque (Finlândia), entre 24 e 29 de setembro.

Divulgação

A edição de 2017 do prêmio Jovens Pesquisadores estimulou a publicação no GBIF de conjuntos de dados e metadados mostrando mensurações de abundância para um conjunto de espécies de múltiplos locais e/ou datas. A pesquisa de Itanna, possivelmente o primeiro estudo taxonômico e ecológico do mundo para monitorar o impacto de uma usina hidrelétrica na fauna de formigas, publicou um conjunto de dados contendo 9.165 ocorrências coletadas durante 253 pesquisas de campo separadas em 6 áreas de influência. O conjunto de dados amostrado registra 10 subfamílias, 68 gêneros e 324 espécies e morfoespecies de Formicidae e está já disponível no GBIF.

Como algumas das áreas monitoradas seriam submersas em algum ponto, a pesquisadora procurou entender a adaptação da fauna à situação de enchimento do reservatório hidrelétrico. Já em sua tese de doutorado, que acaba de ser entregue para avaliação, a doutoranda procurou investigar os aspectos filogenéticos de dois gêneros de formigas com distribuição mundial. "Já concluímos as análises filogenéticas, considerando os dados moleculares, e conseguimos distinguir os dois gêneros (Formicidae: Anochetus e Odontomachus), além disso, conseguimos estimar o período de origem, diversificação e biogeografia para ambos ", afirma Itanna. Como parte da premiação, a ganhadora terá direito a publicar um data paper sobre o conjunto de dados em espaço cedido gratuitamente pelo Biodiversity Data Journal, da editora Pensoft.

“Estamos orgulhosos em ter um pesquisador brasileiro como ganhador do prêmio pelo segundo ano consecutivo. Isso comprova que, apesar de todas as dificuldades, a ciência brasileira está crescendo em inovação e contribui para aprimorar o conhecimento da nossa biodiversidade ", comemora a diretora do SiBBr, Andrea Portela, coordenadora-geral de Gestão de Biomas da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), "É muito gratificante ver que nosso nó nacional e nosso país estão aumentando suas capacidades e que isso está sendo reconhecido", diz ela.

Como representante do GBIF no país, o SiBBr recebeu as candidaturas brasileiras e foi responsável pela seleção nacional. Foram elegíveis para o edital mestrandos e doutorandos regularmente matriculados em programas universitários públicos ou privados no Brasil. A candidatura seguiu para júri mundial, formado por representantes da rede GBIF, do Comitê Científico do GBIF e por especialistas em dados ecológicos. Juntamente com a ganhadora brasileira, a espanhola Nora Escribano, da Universidade de Navarra, foi a vencedora selecionada pelo GBIF para a categoria mestrado.  

O conjunto de dados publicados pela pesquisadora por ser encontrado em: http://www.gbif.org/dataset/914c3b86-f2a1-4d5e-b343-b2597b9d4542

Jovens Pesquisadores 2016 – Desde a sua criação em 2010, o prêmio objetiva incentivar usos inovadores de dados sobre a biodiversidade mobilizados por meio da rede GBIF. Na edição 2016, pela primeira vez um estudante brasileiro foi o ganhador mundial do prêmio Jovens Pesquisadores.  Mestrando da Universidade Federal da Alagoas (UFAL), Bruno Umbelino da Silva Santos, ganhou com o projeto intitulado “Mapeando a perda do conhecimento da biodiversidade na Amazônia em função do desmatamento histórico e futuro”. Com o projeto de pesquisa, Umbelino visa calcular o impacto do desmatamento da Amazônia na qualidade dos dados de biodiversidade do bioma ao longo do tempo. O declínio na qualidade dos dados pode trazer consequências graves para o planejamento da conservação, uma vez que os pesquisadores passam a construir modelos de distribuição de espécies com dados incompletos de florestas que não existem mais e que, por definição, não podem ser inventariados novamente.

Por SiBBr Comunicação