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SiBBr apoia Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos

Grupo de trabalho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a plataforma fará um diagnóstico da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos no Brasil para auxiliar a tomada de decisão e a formulação de políticas públicas.

Com a missão de produzir documentos sintetizando o conhecimento disponível pela ciência e saberes tradicionais sobre biodiversidade, serviços ecossistêmicos e suas relações com o bem-estar humano no Brasil, foi lançada, em fevereiro de 2017, a Plataforma Brasileira sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES, na sigla em inglês). Constituída como um grupo de trabalho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a iniciativa conta com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Programa Biota/Fapesp e da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS). O Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) irá apoiar a plataforma, disponibilizando seus bancos de dados e posteriormente divulgando os diagnósticos e publicações feitas pelo grupo.

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A BPBES reúne atualmente 50 pesquisadores de todas as regiões do Brasil e de diferentes áreas do conhecimento

 
“Existe uma grande convergência entre o SiBBr e a BPBES. Assim como nós, a plataforma objetiva ampliar o uso de dados e informações sobre biodiversidade para auxiliar os tomadores de decisão na elaboração e implementação de políticas públicas voltadas à conservação e ao desenvolvimento sustentável”, afirma a diretora do SiBBr, Andrea Portela, coordenadora-geral de Gestão de Biomas da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTIC. Com apoio técnico da ONU Meio Ambiente e suporte financeiro do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), o banco de dados do SiBBr já conta com aproximadamente 10,5 milhões de registros de ocorrências de quase 100 mil espécies brasileiras.

Sob a coordenação de seis pesquisadores brasileiros, a BPBES reúne atualmente 50 pesquisadores de todas as regiões do Brasil e de diferentes áreas do conhecimento, como economia ecológica, ecologia de paisagens, desenvolvimento sustentável e conhecimentos tradicionais e indígenas.  O primeiro produto do grupo é o documento “Contribuições para o Diálogo Intersetorial”, cujo conteúdo é um resumo do que será abordado no Diagnóstico Brasileiro sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos, que o grupo produzirá até meados de 2018.

Com base no documento inicial, o grupo de trabalho realiza um processo de consulta a diferentes setores da sociedade brasileira que, em suas atividades, direta ou indiretamente, afetam ou são afetados pela biodiversidade e os serviços ecossistêmicos -como organizações não governamentais (ONGs), órgãos do governo, setores industrial e agropecuário, comunidades indígenas e representantes da comunidade internacional e da imprensa, entre outros – a fim de promover ajustes no diagnóstico.

O relatório final terá cinco capítulos e uma estrutura muito parecida com os relatórios publicados pela Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), que faz o papel da BPBES a nível global. Lançada em 2012, com o objetivo de informar aos governos sobre o estado do conhecimento a respeito de biodiversidade e serviços ecossistêmicos para a conservação e o desenvolvimento sustentável – a exemplo do que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) faz em relação ao clima, a IPBES serviu de inspiração para a criação da BPBES.

“A ideia de criação do Painel Brasileiro surgiu justamente em razão de um conjunto expressivo de pesquisadores brasileiros participar dos diversos grupos de trabalho do IPBES”, explica Carlos Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e um dos coordenadores da BPBES, além de co-chair do Painel Multidisciplinar de Especialistas (MPE, na sigla em inglês) da IPBES.

“O fato de termos um grupo tão grande de brasileiros atuando na IPBES é um reconhecimento da qualidade da ciência que se faz em um país megadiverso e que, portanto, lida diariamente com os conflitos de integração da biodiversidade e serviços ecossistêmicos com outros setores da sociedade, que gostaríamos que tivessem uma maior compatibilidade”, avalia Joly, citando que em 2016 a IPBES publicou seu primeiro diagnóstico global sobre polinização relacionada à produção de alimentos e sobre metodologias para construção e análise de cenários e modelagem de biodiversidade.

Saiba mais sobre a BPBES: https://www.bpbes.net.br

Por SiBBr Comunicação - Com informações da Agência FAPESP