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SiBBr incentiva criação de Rede Brasileira de Ciência Cidadã em Biodiversidade

Organizado pelo SiBBr, workshop realizado em Brasília reuniu, pela primeira vez no âmbito do governo federal, representantes de projetos de ciência cidadã em biodiversidade. Um possível intercâmbio entre as iniciativas, inclui ferramentas conjuntas de comunicação e engajamento da sociedade e a integração de dados de ciência cidadã no banco do SiBBr.

É cada vez maior o número de pessoas que participam de projetos de coleta e análise de dados científicos de forma consciente e voluntária. Essa colaboração realizada pelo cidadão comum, em geral não especialista no tema, é conhecida como ciência cidadã. Para conhecer iniciativas do gênero ligadas à biodiversidade brasileira, o Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) promoveu o workshop Ciência Cidadã SiBBr, entre os dias 14 e 15 de fevereiro, em Brasília (DF). O encontro, o primeiro do tipo no âmbito do governo federal, reuniu cerca de 50 especialistas e marcou o início do fomento de uma Rede Brasileira de Ciência Cidadã em Biodiversidade que objetiva o intercâmbio entre as iniciativas brasileiras, com ferramentas conjuntas de comunicação e engajamento da sociedade e a integração de dados de ciência cidadã no banco do SiBBr.

SiBBr/ Luiza Correa
O objetivo é trazer a sociedade para entender a ciência e participar da ciência que eles conseguem fazer sem ter uma formação acadêmica profissional

 
“Estamos criando uma comunidade de boas práticas de ciência cidadã em biodiversidade no Brasil. A ideia é que essa rede se fortaleça, que atraia mais projetos, para começar a vislumbrar a oportunidade de sinergia. Queremos, com essa experiência, trazer a sociedade para entender a ciência e participar da ciência que eles conseguem fazer sem ter uma formação acadêmica profissional”, afirma a diretora do SiBBr, Andrea Portela, coordenadora-geral de Gestão de Biomas da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

O objetivo, a médio prazo, é integrar os dados de projetos de ciência cidadã com a plataforma do SiBBr. “Atualmente integramos e disponibilizamos dados provenientes de coleções biológicas, com a aproximação com os projetos de ciência cidadã abriríamos uma nova possibilidade incrementando nosso banco de dados e ampliando as informações sobre a biodiversidade brasileira disponíveis no SiBBr que são utilizadas tanto por pesquisadores, quanto por gestores da área ambiental”, explica a diretora. Com apoio técnico da ONU Meio Ambiente e suporte financeiro do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), o banco de dados do sistema já conta com aproximadamente 10,5 milhões de registros de ocorrências de quase 100 mil espécies brasileiras, publicados pelas principais instituições de pesquisa nacionais como o Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) e do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP).

No futuro, o próprio SiBBr também pretende desenvolver um projeto de ciência cidadã numa sinergia com o Departamento de Políticas e Programas para Inclusão Social do MCTIC. “Esses projetos exigem um engajamento e um esforço de mobilização constante. Estamos avaliando um experimento-piloto na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia para ir ganhando experiência”, adianta Portela. 

Projetos participantes – Neste primeiro momento, participaram do workshop onze projetos nacionais que foram convidados por critérios como abrangência, relevância e objetos de estudo. Um dos projetos apresentados foi o "Onde estão as baleias e os golfinhos?", realizado pelo Instituto Mar Adentro para o monitoramento de animais aquáticos. A iniciativa conta com a participação dos cidadãos para a observação desses animais, que possuem um ciclo biológico longo e estão em constante movimento em extensas áreas. Entre outubro de 2013 e janeiro de 2017, foram feitos 198 mil registros de baleias e golfinhos por cidadãos no Rio de Janeiro. “Nós, pesquisadores, não temos olhos para estar em todos os lugares. Então, pintou a ideia de fazer um grupo de ciência cidadã nas redes sociais para que a população colaborasse com o nosso trabalho mandando informações sobre baleias e golfinhos avistados no Rio de Janeiro. As informações complementam o trabalho dos pesquisadores e são usadas num cruzamento de dados para o georreferenciamento da disposição das espécies e para levantar as áreas de preservação desses animais", explicou a coordenadora do projeto, Liliane Lodi.

Outro projeto de ciência cidadã presente ao workshop, foi a plataforma mundial eBird, que possui 20 milhões de dados de aves. No Brasil, a ferramenta foi criada em 2013 e é coordenada pela organização não-governamental BirdLife/SAVE Brasil. “No eBird Brasil, estamos com 569 mil registros de aves observadas aqui. Não há biólogo ou ornitólogo capaz de um esforço igual, sem a contribuição dos observadores de aves”, avaliou o biólogo Pedro Develey, coordenador da plataforma no Brasil, que hoje conta com 1087 participantes. “A ciência cidadã sempre tem que ter um técnico junto. Então, o ministério chamar a gente pra esse workshop mostra um reconhecimento da importância desses dados, e isso abre uma perspectiva muito grande de integração e mais, aproxima a sociedade da ciência, que é totalmente isolada. A sociedade não entende para que existe a ciência e o cientista não consegue entender que ele deve prestar conta para sociedade”, disse Develey.

Co-fundador do projeto Táxeus, plataforma colaborativa com 785 mil registros de espécies em 1.080 municípios brasileiros, Ricardo Mendes defende a integração de dados de diferentes iniciativas de ciência cidadã. “O SiBBr traz uma novidade que é a integração dessas plataformas. Existem muitas tecnologias que a gente pode compartilhar, formas de trabalho, o próprio engajamento da comunidade. Uma série de fatores que são importantes para todos nós, mas que cada um, até então, trabalhava de maneira isolada”, disse ele durante o encontro.

Além dos citados acima, também participaram do workshop os projetos AeTrapp, Guardiões da Chapada, Sol para Todos, WikiAves, entre outros. Além de especialistas de instituições como: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto Butantan, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Museu Paraenese Emílio Goeldi (MPEG).

Por SiBBr Comunicação