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Refauna seleciona pesquisadores para repatriar dados da fauna brasileira

O programa irá enviar pesquisadores para grandes instituições internacionais em busca de informações da fauna brasileira, depositadas em coleções históricas, principalmente em países europeus que enviaram naturalistas ao Brasil em séculos passados. As inscrições vão até 31 de março e após a repatriação, os dados estarão disponíveis no SiBBr.

Inciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), com coordenação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e administração da Fundação Amazônica de Defesa da Biosfera (FDB), o programa Refauna abre inscrições para pesquisadores brasileiros interessados em atuar na repatriação de dados e imagens de espécimes da fauna nacional presentes em instituições no exterior. Com inscrições abertas até 31 de março, o edital irá selecionar até 20 projetos de pesquisa que serão beneficiados com passagens aéreas e diárias para recuperar as amostras de animais enviadas para museus mundo afora, onde permanecem até hoje. Após a visita, os projetos tem o prazo de até seis meses para disponibilizarem as informações coletadas dessas amostras, que passarão a integrar o banco de dados do Sistema de Informações sobre a Biodiversidade Brasileira (SIBBr) e do Catálogo Taxonômico da Fauna Brasileira (CTFB).

INPA
Os pesquisadores interessados terão até o dia 31 de março para encaminhar as propostas

Em séculos passados muitos naturalistas, visitantes ou residentes no Brasil, coletaram amostras de animais e as enviaram, principalmente, para museus da Europa. De acordo com o pesquisador do Inpa e coordenador do Refauna, José Albertino Rafael, grande parte dos espécimes enviados ao exterior, como insetos, peixes, aves e primatas, foi utilizada na descrição de novos táxons (espécies ou subespécies) e integra o conjunto de amostras que serviram de base para a descrição de mais de 50% das espécies brasileiras, hoje com um total de 117.052 espécies/subespécies.

As informações sobre esses táxons estão restritas às descrições antigas, a maioria incompleta, sem dados suficientes para o seu reconhecimento atual. “Por isso, essa seleção é importante. A pesquisa irá nos ajudar a saber onde os espécimes estão e suas condições de conservação, além de obter todas as informações de suas etiquetas e fotos para dar base aos especialistas nos seus estudos taxonômicos”, afirma o coordenador.

Os pesquisadores interessados em participar devem encaminhar as propostas para a Fundação Amazônica de Defesa da Biosfera, até o dia 31 de março. Acesse o edital: http://www.fdb.org.br/publicacoes-editais.php

Repatriação de dados da flora – A iniciativa do programa Refauna apresenta similaridade com o projeto de repatriamento de dados do programa Reflora, coordenado pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ). Iniciado em 2010, e apoiado pelo SiBBr desde 2014, o programa deve finalizar 2017 com a repatriação de 1,2 milhão de registros de coleções no exterior. Os bolsistas do Reflroa atuam na Europa, nas instituições Royal Botanic Gardens de Kew (Inglaterra), Muséum National d'Histoire Naturelle de Paris (França), Naturhistorisches Museum Wien (Áustria) e o Naturhistoriska Riksmuseet (Suécia). Além do Missouri Botanical Garden, o The New York Botanical Garden e o Smithsonian Institution National Museum of Natural History, nos Estados Unidos. Todos os dados repatriados são integrados e disponibilizados na plataforma do SiBBr.

“Existem milhões de dados da biodiversidade brasileira em coleções no exterior, ao repatriarmos essa informação facilitamos o acesso e incentivamos a produção científica nacional. Após o sucesso da iniciativa da Reflora, é com satisfação que incentivamos agora trabalho similar com os dados da fauna”, afirma a diretora-geral do SiBBr, Andrea Portela Nunes, coordenadora-geral de Gestão de Biomas da Secretária de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTIC.  Com apoio técnico da Onu Meio Ambiente (PNUMA) e suporte financeiro do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), o banco de dados do SiBBr já conta com aproximadamente 10,5 milhões de registros de ocorrências de quase 100 mil espécies brasileiras.

Por SiBBr Comunicação - Com informações do Inpa e do MCTIC