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Estudante brasileiro vence prêmio global de informática para a biodiversidade

Mestrando da Universidade Federal da Alagoas (UFAL), Bruno Umbelino da Silva Santos é o primeiro brasileiro a receber o prêmio oferecido pelo GBIF para o desenvolvimento de projetos de pesquisa na área de tecnologia de informação para a biodiversidade. A premiação será realizada no final de outubro em Brasília, durante o 23º Congresso de Governança do GBIF.

Willams Fagner

Com o objetivo de incentivar a inovação científica na área de tecnologia da informação para a biodiversidade, o prêmio mundial Jovens Pesquisadores, oferecido pelo sétimo ano consecutivo pela Plataforma Global de Informação sobre Biodiversidade (GBIF, na sigla em inglês), premiou pela primeira vez um estudante brasileiro. Aluno do programa de pós-graduação de Diversidade e Conservação nos Trópicos, do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal de Alagoas (ICBS/UFAL), Bruno Umbelino da Silva Santos, de 23 anos, foi premiado na categoria dedicada a estudantes de mestrado. Como nó do GBIF no Brasil, o Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) foi responsável pela seleção nacional que indicou o estudante como o concorrente brasileiro.  O prêmio será entregue durante o 23º Congresso de Governança do GBIF, que será realizado em Brasília (DF), entre 24 e 26 de outubro.

Intitulado Mapeando a perda do conhecimento da biodiversidade na Amazônia em função do desmatamento histórico e futuro, o projeto de pesquisa de Umbelino visa calcular o impacto do desmatamento da Amazônia na qualidade dos dados de biodiversidade do bioma ao longo do tempo. O declínio na qualidade dos dados pode trazer consequências graves para o planejamento da conservação, uma vez que os pesquisadores passam a construir modelos de distribuição de espécies com dados incompletos de florestas que não existem mais e que, por definição, não podem ser inventariados novamente.

“Considero que o uso de grandes bancos de dados (Big Data) é bastante relevante no suporte aos estudos conservacionistas, biogeográficos e de outras subáreas da biologia. Sua relevância vai da maximização do tempo de coleta, completude de dados e maior precisão na inferência das amostras”, afirma o jovem pesquisador, que desenvolve pesquisas nas áreas de Macroecologia e Biogeografia, no Laboratório de Conservação do Século 21 (Lacos 21), sob a orientação da professora Ana Malhado e a coorientação dos pesquisadores Ricardo Correia e Juliana Stropp.

Com base em um modelo que estima a totalidade de dados na região, Umbelino pretende quantificar a quantidade de conhecimento sobre a biodiversidade já perdido em decorrência do desmatamento e projetar um mapa, que possa ser um instrumental para a orientação de amostragens de campo e pesquisas futuras, especialmente quando usado juntamente com dados atualizados sobre o desmatamento.

“O Bruno é um excelente aluno, cheio de motivação e merece muito a premiação. Nós estamos extremamente felizes com o resultado, pois cada país participante do GBIF fez uma pré-seleção e indicou seus melhores candidatos, assim, ter um projeto de mestrado da UFAL reconhecido com excelência em originalidade, inovação e potencial de contribuição foi uma grande surpresa”, afirma a professora Ana Malhado.

No Brasil, a seleção foi realizada pelo SiBBr, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), com suporte técnico do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e apoio financeiro do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). A entrega do prêmio será durante o 23o Congresso de Governança do GBIF, que será sediado pela primeira vez no Brasil, entre 24 e 26 de outubro, em Brasília.

Jovens Pesquisadores – Anualmente o prêmio Jovens Pesquisadores oferece dois auxílios de 4 mil Euros, para um projeto de mestrado e outro de doutorado. Os projetos são avaliados pelos critérios de: (i) originalidade e inovação; (ii) uso e relevância estratégica para o GBIF; e (iii) mensurabilidade e impacto no avanço da informática para a biodiversidade e/ou a conservação da diversidade biológica.

O vencedor brasileiro compartilha o prêmio com o mexicano Juan M. Escamilla Molgora, doutorando da Universidade de Lancaster, no Reino Unido. A Comissão de Ciência do GBIF elogiou os dois premiados pela inovação e originalidade da pesquisa e o uso criativo de dados disponibilizados pelo GBIF.