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SiBBr irá cooperar com criação de sistema de biodiversidade do Equador

Projeto de cooperação triangular, entre Alemanha, Brasil e Equador, irá promover intercâmbio para a criação do sistema de biodiversidade equatoriano. A experiência do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) com a implantação do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) é uma das bases do projeto.

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O Equador é considerado um dos 17 países megadiversos e abriga
a maior biodiversidade por quilômetro quadrado do mundo.

Detentor da maior biodiversidade por quilômetro quadrado do mundo, o Equador ainda não possui uma plataforma on-line que reúna e disponibiliza dados existentes sobre a rica fauna e flora do país. A experiência brasileira com a implantação do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), lançado em 2014, é um dos pilares de um acordo de cooperação triangular, entre Alemanha, Brasil e Equador, que pretende inverter esta situação. Pela iniciativa, o Brasil irá fornecer assessoria técnica para que o Instituto Nacional de Biodiversidade do Equador (INB) fortaleça sua capacidade técnico-científica para a pesquisa e a inovação na gestão da sua biodiversidade.

“Ao implementar o SiBBr enfrentamos realidades e necessidades muito similares aos desafios enfrentados hoje pelo INB. Na época, contamos com a experiência da Colômbia e do Canadá que nos ajudaram no processo. Agora é a vez do Brasil  contribuir com o Equador”, afirma a diretora do SiBBr, Andrea Portela Nunes, coordenadora-geral de Gestão de Ecossistemas da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), completando: “esse tipo de cooperação também nos beneficia muito, pois com o intercâmbio de técnicos aprimoramos também as iniciativas nacionais de gestão e conhecimento da biodiversidade brasileira.”

Assinado pelas três partes em junho de 2016, o projeto de cooperação realizará em breve sua primeira missão técnica, quando técnicos brasileiros irão visitar o INB, sediado em Quito, para avaliar a infraestrutura instalada, a capacidade técnica da equipe, a sustentabilidade financeira e outros aspectos. A avaliação servirá de base para a detalhamento do plano de trabalho até junho de 2018, período previsto para o encerramento do acordo. Durante a visita ao Equador, o Brasil também realizará um workshop sobre temas como integração de coleções e monitoramento de dados.

Pelo acordo, o MCTIC irá também prover treinamentos ao Equador em protocolos padronizados de inventário e monitoramento da biodiversidade desenvolvidos por programas ligados ao Ministério. Até dezembro de 2017, pelo menos doze profissionais da equipe técnica-científica do INB devem estar treinados em protocolos de amostragem de biodiversidade (inventários biológicos) e técnicas de monitoramento de espécies. Ao exportar seu conhecimento na área, o Brasil segue sua consolidação como referência regional em estudos e pesquisas focados no conhecimento da biodiversidade e, consequentemente, na sua conservação.

O acordo de cooperação entre os três países começou a ser formatado durante a visita da então ministra do Ambiente do Equador, Lorena Tapia Nuñez, ao Brasil em outubro de 2015. Na ocasião, a ministra manteve encontros no MCTIC e no Ministério do Meio Ambiente (MMA). Por meio do projeto Fundo Regional para a Cooperação Triangular na América Latina e Caribe, da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), foram envolvidos o SiBBr, via o MCTIC, o MMA e a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), órgão integrante do Ministério de Relações Exteriores (MRE). Da parte da Alemanha, além da GIZ, que junto com as contrapartes brasileiras e equatorianas participa na coordenação e monitoramento do projeto e facilita as atividades de intercâmbio, estão envolvidos no projeto o Museu de História Natural de Bonn, a Universidade Humbolt de Berlim e a Universidade de Marburgo.

Criado em 2014 e vinculado ao Ministério do Ambiente do Equador, o INB fomenta inovações científicas e tecnológicas ligadas à biodiversidade, para desenvolver o conhecimento e fortalecer a conservação e o uso racional dos recursos naturais. Entre os principais objetivos do Equador no acordo está a criação de um banco de dados digital que reúna informações sobre flora e fauna que possam auxiliar no conhecimento da dinâmica dos recursos naturais e no desenvolvimento de estratégias de conservação da biodiversidade.

“Esperamos que o acordo de cooperação impulsione a pesquisa e difusão de conhecimento sobre biodiversidade da América do Sul, fortalecendo o intercâmbio de informações não só entre Brasil e Equador mas entre todos os países da região que possuem diversos biomas compartilhados”, finaliza Nunes, citando que a criação e estabelecimento de plataformas digitais, grupos de especialistas e protocolos facilitam a transferência de conhecimento e fortalecem as capacidades regionais por meio da troca de informação.

Biodiversidade Equatoriana – Localizado em uma região neotropical, o Equador é considerado um dos 17 países megadiversos e abriga a maior biodiversidade por quilômetro quadrado do mundo. A presença dos Andes e a influência das correntes do oceano em suas costas proporcionam zonas naturais geográficas bem definidas. São 26 tipos de habitats distintos, com diferentes níveis de altitude e precipitação, incluindo a Floresta Amazônica, com o mais alto índice de biodiversidade do planeta, e as Ilhas Galápagos, com um sistema ecológico autossuficiente e um alto grau de endemismo biológico.

Apesar de ser reconhecido mundialmente por sua vasta riqueza florística, a biodiversidade do Equador é pouco conhecida e enfrenta constante ameaça. Segundo o perfil do país na Convenção de Diversidade Biológica (CDB), o Equador reconhece que, apesar da informação sobre a biodiversidade local ter aumentado nos últimos anos, ainda falta conhecimento sobre os ecossistemas e fatores que influenciam alterações na biodiversidade do país.