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Parque Estadual do Rio Doce é sítio Ramsar desde 2010
Áreas úmidas

Com área total de 35.976 hectares, e a 300 m de altitude, é a maior área contínua de Mata Atlântica preservada em Minas Gerais

O Parque Estadual do Rio Doce está localizado no sudoeste de Minas Gerais, a 248 km de Belo Horizonte, numa área metropolitana do Vale do Aço composta pelos municípios de Timóteo, Marliéria e Dionísio. Até antes da colonização portuguesa, a região era habitada pelos indígenas Botocudos.

Divulgação/Governo de Minas Gerais
Parque compreende a maior área contínua de Mata Atlântica preservada em Minas Gerais
e é um dos três maiores sistemas de lagos do País

No início da década de 1930, o então arcebispo de Mariana, Dom Helvécio Gomes de Oliveira, durante viagem a Marliéria, conheceu a beleza das florestas e lagoas da região, pelas quais decidiu empenhar-se em preservar, começando pela criação de uma reserva florestal, o que conseguiu fazer em 14 de julho de 1944.

Durante muito tempo, a administração do Parque ficou a cargo da Secretaria de Estado da Agricultura de Minas Gerais. Em 1962, foi criado o Instituto Estadual de Florestas (IEF), que passou a geri-lo, logo abrindo-o ao turismo.

Alguns anos depois, durante a época da seca, uma fogueira deixada por um turista provocou um incêndio que se alastrou por cerca de 9 mil hectares de florestas, causando 11 mortes. Após sete anos de reformas, o parque foi reaberto para visitação, mas até hoje a parte afetada pelo incêndio encontra-se em regeneração.

Vegetação, fauna e flora

Com área total de 35.976 hectares, e a 300 m de altitude, é a maior área contínua de Mata Atlântica preservada em Minas Gerais, formando com o Pantanal Matogrossense e o sistema Amazônico os três maiores sistemas de lagos do País.

O Parque Estadual recebe a denominação de depressão interplanáltica do Rio Doce, e é constituído por cerca de 42 lagoas, sendo a maior destas, com 6,7 Km² e 32 m de profundidade, a Lagoa Dom Helvécio, mais conhecida como Lagoa do Bispo, em homenagem ao idealizador do Parque.

A vegetação é marcada por árvores raras e centenárias, tais como a garapa, o vinhático, a sapucaia, a canela sassafrás, o jacarandá-da-baía e o jequitibá, este podendo viver até mil anos. Também há, listadas, 1129 espécies vegetais, além de 10 mil espécies compondo a flora local, estabelecendo uma significativa e incomum diversidade a essa área úmida.

Quanto à fauna, o parque abriga um total de 1.383 espécies de mamíferos, anfíbios e aves. Dentre tantos outros, há o macaco-prego, a anta, capivara, paca, sauá, cotia e o jacaré-de-papo-amarelo, além de espécies ameaçadas de extinção, como o macuco, a onça pintada e o mono-carvoeiro, maior macaco dos continentes americanos.

Dentre os peixes, grandes populações de cumbaca, piabinha, traíra, lambari, bagre, manjuba, cará, piranha e tucunaré, e, da avifauna, destaque para o beija-flor, jacu-açu, anumará, besourinho, chauá e saíra.

Objetivos

Assim como as demais unidades de conservação, o Parque Estadual do Rio Doce tem como objetivos prioritários de manejo a preservação, o desenvolvimento de pesquisas científicas, a recreação e educação ambiental.

No que se refere à preservação ambiental, no caso do PERD, a prioridade é a parte local da Mata Atlântica e suas espécies – apenas por um exemplo, o parque mantém um viveiro com produção anual de até 500 mil mudas, inclusive de plantas medicinais.

Sítios Ramsar

O Parque Estadual do Rio Doce tornou-se Sítio Ramsar em fevereiro de 2010, correspondendo à diretriz do governo brasileiro, cumprida desde sua adesão à Convenção de Ramsar, de indicar para a Lista deste tratado internacional somente Áreas Úmidas que sejam unidades de conservação, assim favorecendo a adoção de medidas necessárias à implementação dos compromissos assumidos pelo País perante a Convenção.

Além do Parque Estadual do Rio Doce, o Brasil tem outras 11 Áreas Úmidas na Lista de Ramsar.

Fonte: Ministério do Meio Ambiente