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38 Herbários nacionais devem publicar quase 1 milhão de dados no SiBBr

Nova fase da parceria entre SiBBr e Jardim Botânico do Rio de Janeiro, no âmbito do programa Reflora, beneficia 38 novos herbários nacionais com apoio à informatização de coleções botânicas, que juntos devem integrar 926 mil dados inéditos ao sistema até meados de 2017.

Com a meta de informatizar 926 mil dados inéditos da flora de coleções brasileiras até meados de 2017, a segunda fase da parceria entre o Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), o Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) e o Inventário Florestal Nacional (IFN) passou a apoiar a digitalização e integração de coleções de 38 herbários nacionais, no âmbito do programa Reflora. À iniciativa, somam-se outros 13 herbários integrantes da primeira fase da parceria e os sete herbários internacionais que participam do projeto de repatriamento de dados, totalizando a interlocução com 58 herbários. Para trocar experiências e estabelecer os próximos passos, curadores e outros profissionais de aproximadamente 40 herbários participantes se encontraram, entre 25 e 26 de junho, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro para o workshop “Herbários Integrados ao Reflora: compartilhando experiências e soluções”.

Aline Massuca João Gonçalves
Rafaela Forzza, coordenadora do Reflora, no workshop com novos herbários que integraram o programa, como o MUFAL, de Alagoas, do qual Letícia Lima é a curadora.

“Ao fornecer apoio técnico aos herbários menores, agora incluídos no projeto, incentivamos diretamente a modernização das coleções biológicas brasileiras e tornamos acessíveis milhares de dados sobre biodiversidade inéditos até então”, comenta a pesquisadora do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e coordenadora do Reflora, Rafaela Forzza, referindo-se aos dados que nunca foram disponibilizados online e agora terão acesso livre ao público por meio das plataformas do Reflora e do SiBBr. 

É o caso das 3.500 amostras do acervo do herbário Honório Monteiro (MUFAL), ligado ao Museu de História Natural da Universidade Federal de Alagoas, com destaque para coletas em áreas de relevante biodiversidade no estado de Alagoas, como Xingó e Serra da Barriga. Integrante do projeto desde o último mês de janeiro, o herbário conta com um bolsista financiado pelo SiBBr que já informatizou cerca de 1.500 amostras. “Um dos pontos fortes do programa é justamente conectar os herbários brasileiros, criando uma rede para troca de experiências e busca de soluções. Além disso, participar do Reflora, uma iniciativa do governo federal, aumentou a visibilidade do nosso herbário dentro da nossa própria instituição”, afirma a curadora do MUFAL, Letícia Ribes de Lima, que agora aguarda a chegada da estação fotográfica para iniciar a digitalização das exsicatas.

Para viabilizar a participação de um número maior de herbários, visto que inicialmente estavam previstos somente 22 instituições para a segunda fase, o projeto criou uma rotatividade para o uso das estações de digitalização entre os herbários menores. “As nossas estações rodam entre os participantes, e com ela sempre enviamos alguém da nossa equipe para realizar o treinamento necessário e assim instalar a capacidade técnica no beneficiado”, cita Rafaela. As estações de digitalização incluem máquina fotográfica, computador, driver externo, tripé e outros acessórios. Também é fornecida a licença de uso do SilverImage, um software desenvolvido para gerenciar imagens de herbários.

Uma situação diferente é a vivida pelo herbário Museu Botânico Municipal (MBM), vinculado à Prefeitura Municipal de Curitiba, que atualmente conta com duas estações de digitalização e quatro bolsistas apoiados pelo projeto. Detentor de um acervo de 405 mil amostras, o herbário, participante desde a primeira fase, iniciou a sua digitalização em 2015 e já percebe os benefícios. “Todo o processo de informatização e digitalização tem sido muito positivo, tivemos que rever toda a coleção e acelerar o processo de restauro e remontagem, bem como melhorar o manejo das amostras. Até a parte histórica foi beneficiada, acreditávamos que a nossa exsicata mais antiga era de 1889, mas ao rever todo o acervo encontramos uma amostra de flora paraense de 1838”, comemora o curador do MBM, Tadeu Motta, citando que o herbário já informatizou 75% da sua coleção e digitalizou aproximadamente 180 mil imagens. “Nosso ritmo de digitalização são de 800 imagens por dia, uma média de 200 para cada um de nossos bolsistas”, afirma Motta, que espera ter toda a coleção online até 2017.

“Colocar um dado online não é rápido, nem barato. É um processo custoso e trabalhoso, que envolve melhorias no funcionamento do herbário desde a sua parte física até a capacitação da sua equipe”, pontuou Rafaela durante o workshop, que também abordou temas como o estímulo ao uso do herbário virtual, reduzindo assim o empréstimo de amostras e colaborando com a preservação da coleção; o uso do Jabot, o sistema de gerenciamento de coleções botânicas desenvolvido pelo JBRJ;  a institucionalização dos programas Reflora e SiBBr pelo governo federal, garantindo a perenidade dos sistemas; entre outros. “As decisões dos curadores não são isoladas, elas são parte integrantes do processo e tem um peso importante na negociação com os financiadores das iniciativas”, finalizou Rafaela, estimulando o trabalho em rede entre os herbários participantes.

Ferramentas online – O workshop “Herbários Integrados ao Reflora: compartilhando experiências e soluções” também contou com apresentações de algumas ferramentas de gestão, busca de dados e apoio curatorial que estão em desenvolvimento pela equipe do SiBBr. Com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2016, as aplicações irão facilitar a verificação, padronização e publicação de dados biológicos. Entre elas, estão dicionário taxonômico, validador de nomes científicos e uma árvore filogenética.

“O SiBBr quer oferecer serviços que possam ser acessados, e principalmente utilizados, pela comunidade científica como um todo”, afirmou o gestor de Participação e Tecnologia da Informação do SiBBr, Rafael Fonseca. Com apoio técnico do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e suporte financeiro do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), o banco de dados do SiBBr já conta com mais de seis milhões de registros de ocorrências de quase 100 mil espécies brasileiras.

O workshop “Herbários Integrados ao Reflora: compartilhando experiências e soluções” fez parte da Semana de Conservação da Biodiversidade do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que teve como objetivo promover o debate e o engajamento da sociedade na agenda ambiental e, mais especificamente, em temas relacionados à 13ª Conferência das Partes (COP) da Diversidade Biológica, que terá lugar no México em dezembro de 2016.

Por João Gonçalves - SiBBr Comunicação